Capital de Risco (Venture Capital)

 

Instituto Superior de Economia e Gestão
Universidade Técnica de Lisboa

Economia Industrial e da Inovação

 

Acesso ao financiamento por parte das PME
portuguesas: um potencial de crescimento
Económico e criação de emprego

 

ACESSO AO FINANCIAMENTO POR PARTE DAS PME PORTUGUESAS: UM POTENCIAL DE CRESCIMENTO ECONÓMICO E CRIAÇÃO DE EMPREGO

1. Enquadramento das PME na economia portuguesa

2. Contributo das PME para a criação de emprego

3. Inovação no seio das PME

4. Fontes de Financiamento

  4.1. Os bancos

  4.2.  Perspectiva geral do capital de risco

    4.2.1. A evolução do capital de risco em Portugal

    4.2.2.  Segmentos do capital de risco

5. As PME e a envolvente de globalização e internacionalização

ANEXOS 1

ANEXOS 2

 

ACESSO AO FINANCIAMENTO POR PARTE DAS PME PORTUGUESAS: UM POTENCIAL DE CRESCIMENTO ECONÓMICO E CRIAÇÃO DE EMPREGO

As pequenas e médias empresas (PME) assumem um protagonismo notório no contexto empresarial, revelando-se um pilar da actividade económica, nomeadamente no volume de negócios,  nas exportações e no emprego. As PME constituem cerca de 99,9% do tecido empresarial e cerca de 85% do volume de emprego, sendo bastante importantes no dinamismo da economia portuguesa. Contudo, a dimensão constitui ainda um motivo de discriminação para as empresas no acesso às fontes de financiamento.

 

1.   Enquadramento das PME na economia portuguesa

As PME são um elemento fundamental no plano de sustentação económica e no desenvolvimento regional, uma vez que têm uma enorme capacidade de gerar riqueza e criar emprego. Com base em dados do INE, o peso das PME (seja enquanto produtores, exportadores ou empregadores) é mais significativo em sectores como o Comércio, Serviços e a Indústria Transformadora (37,3%, 24,3%, 18,3% respectivamente). Além disso, a contribuição das PME para o volume de vendas global das empresas nacionais é de 80% e para o volume de emprego nacional é de 85% (cerca de 72% em 1996). 

Entre 1988 e 1993, a posição relativa das PME na indústria portuguesa foi reforçada quer em termos do número de empresas, quer em termos do volume de negócios, de exportações e de emprego. Importa referir que esse crescimento relativo não se ficou a dever a um decréscimo menos acentuado nas PME comparativamente às GE. Em 1993, havia mais 6178 PME e mais 65124 postos de trabalho comparativamente a 1988.  As pequenas empresas são as que contribuem de forma mais significativa para o reforço da posição das PME na economia portuguesa. É importante referir também que, entre 1990 e 1996, o peso das PME na Indústria Transformadora diminuiu.

Quanto ao volume de negócios, as PME representavam 69,6% do volume de negócios total. Dentro das PME, os sectores Alimentar, Têxtil e das Metalomecânicas são os que contribuem mais para o peso das PME no volume de negócios.

-Em termos sectoriais (também em 1993) e por dimensão, dentro das PME, nos sectores Alimentares, Bebidas e Têxteis predominam as médias empresas e nos sectores  Madeira/Cortiça e Artes Gráficas predominam as micro e pequenas empresas.

No que diz respeito às exportações, as PME são responsáveis por 62% das exportações portuguesas de produtos industriais. Além disso, cerca de 98% das empresas industriais exportadoras são PME e a percentagem de exportadoras nas PME cresce com a dimensão. Contudo, as GE são dominantes no conjunto da indústria.

Por último, prevê-se que, durante o primeiro ano de actividade, as novas empresas recém-criadas sejam micro empresas e 74% terão menos de 5 trabalhadores. Do total dessas empresas, 87% pretendem atingir um volume de negócios baseado no mercado interno  e 16% pretendem exportar, ainda no primeiro ano de actividade.

Deste modo, perante os vários desafios impostos pela vertiginosa evolução que, a vários níveis, se colocam à economia portuguesa, as PME (sendo estruturas pequenas e considerando a sua globalização serão aquelas que conseguirão responder mais rapidamente a esses mesmos desafios.

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2.   Contributo das PME para a criação de emprego

As PME constituem um importante potencial de criação de emprego. A título de exemplo, em 1993, as PME representavam 82,8% do emprego industrial (sendo que as pequenas empresas absorviam 43,5%). Nas micro empresas, as Metalomecânicas absorviam quase 27% do emprego nesta classe de dimensão. Nas pequenas e médias empresas, o sector Têxtil era aquele que absorvia mais emprego (36,3% e 43,1% respectivamente). Particularmente no sector Madeira/Cortiça, o peso das empresas por classe de dimensão, em termos de emprego,  vai diminuindo à medida que a dimensão aumenta. O peso do emprego no sector do Comércio também é importante (32%) e tende a aumentar, tendo passado de 387 mil  trabalhadores, em 1990, para 502 mil, em 1996.
 

Relativamente à qualificação dos recursos humanos, nos sectores onde predominam as PME, as três categorias de qualificação mais elevada (Quadros Superiores, Quadros Médios e Pessoal Altamente Qualificado) estão abaixo dos 12% do total dos trabalhadores, à excepção das Artes Gráficas e dos Outros Produtos Químicos (30,1% e 31,6% do total de pessoal, respectivamente). Contrariamente, mais de 15% do total do pessoal é Pessoal Não Qualificado, excepto nos sectores Outros Produtos Químicos. O sector PME onde a percentagem de P.N.Q. é superior é o da Madeira/Cortiça com 35,1%. Contudo, importa referir que, entre 1988-93, houve uma ligeira melhoria na estrutura das qualificações dos trabalhadores tanto nas PME como na GE.

No entanto, importa referir que as PME não só criam como também destroem emprego mais rapidamente do que as grandes empresas. Isto
acontece porque as PME crescem a ritmo elevado quando têm sucesso, contudo apenas cerca de metade delas sobrevive aos seus primeiros anos de existência.

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3.   Inovação no seio das PME

Em geral, as empresas dos sectores portugueses onde predominam as PME têm uma base tecnológica fraca, o que leva a uma especialização sectorial em actividades tecnologicamente menos exigentes. A partir de meados dos anos 80, a pressão das exigências de um mercado mais amplo e liberalizado conduziram a uma aceleração das novas tecnologias na indústria portuguesa.

Embora as empresas de base tecnológica (EBT) sejam uma minoria dentro das PME portuguesas, aquelas constituem um importante potencial de criação de emprego e um elemento indispensável de dinamismo para a economia. Além disso, estas empresas  tendem a criar emprego mais estável e altamente qualificado. É de salientar que as EBT geram externalidades tecnológicas positivas (devido ao seu elevado investimento em I&D) que beneficiam quer os consumidores,  quer os outros produtores. 

Uma questão fundamental para aumentar a intensidade tecnológica das PME portuguesas consiste no  reforçar do seu desempenho  (em termos de plano organizacional, investimento e reflexão estratégica) e potencial tecnológico de forma a aumentar a sua capacidade competitiva e na intensificação da articulação entre os pólos tecnológicos que existem e o sistema financeiro, sobretudo em matéria de capital de risco, fomento empresarial e sociedades de investimento.

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4.   Fontes de Financiamento

Uma correcta gestão de um “mix” de fontes de financiamento adequadas às necessidades de cada empresa pode ser a chave do sucesso pretendido.

Qualquer empresa sente necessidade de financiamento, mas vamo-nos centrar no financiamento das PME porque a sua situação é mais preocupante devido ao reduzido conjunto de possibilidades de financiamento externo, insuficientes recursos próprios e devido ao facto de estarem associadas a um elevado risco que encarece o recurso ao crédito bancário. Pior situação é a das EBT cujo financiamento é ainda mais importante devido à necessidade de financiar o desenvolvimento da inovação, projectos de capital intensivo.

Tomando em conta que as PME constituem a espinha dorsal do sistema produtivo com uma importância decisiva no desenvolvimento do país, o Estado tem desenvolvido políticas de incentivo às empresas com o objectivo de as apoiar em várias vertentes, nomeadamente modernização tecnológica e formação de recursos humanos de forma a torná-las mais competitivas. Para isso serve-se dos seguintes instrumentos: fundo perdido; subsídios reembolsáveis ou bonificados; e incentivo fiscal.


    
4.1. Os bancos

As PME nacionais têm uma reduzida capacidade de se autofinanciarem como indíca a sua taxa de rentabilidade que é inferior relativamente à das GE. O fundo de maneio das PME nacionais é financiado essencialmente por endividamento a taxas claramente acima da média, o que faz com que grande parte dos meios, por elas gerados, sejam absorvidos pelos encargos financeiros, que são tão elevados que explicam a quebra de rentabilidade e a diferenciação relativamente às GE. 

De um estudo efectuado pela Comissão Europeia relacionado com o perfil das PME no período 1985-1993, constatou-se que as PME portuguesas têm vindo a “transferir” as dívidas de curto prazo para a rúbrica de capitais próprios, ascendendo o nível de autonomia financeira de 21% para 33%. As dívidas de curto prazo caíram de 58% para 48%, em contrapartida houve um acréscimo no peso dos empréstimos de médio/longo prazo no total dos empréstimos, mas é de salientar que estes nunca foram superiores aos de curto prazo. 

As principais fonte de financiamento das PME, principalmente de micro empresas, são o autofinanciamento e o crédito bancário (permite ao empresário manter a autonomia no controlo da empresa, remuneração independente do sucesso da empresa, interferência por parte dos financiadores muito limitada). Somente quando estes dois meios atingem os seus limites é que as empresas equacionam a possibilidade de recorrer a fontes alternativas de financiamento, designadamente a colocação de acções em bolsa. 

Com a liberalização dos mercados financeiros alargaram-se as fontes alternativas de financiamento (mercado de capitais nacional e internacional), mas somente as GE beneficiaram, tendência observada quer nacional quer internacionalmente, reduzindo o seu endividamento relativo a instituições financeiras. Contrariamente as PME mantêm uma persistente dependência estrutural do débito bancário.

Uma grande parte das PME nacionais já estabelecidas só necessitam de financiamento externo para fazer face a problemas de falta de liquidez, até porque têm uma certa dificuldade em planear as suas necessidades de financiamento a longo prazo. Consideram, assim, adequada a relação que têm com os bancos que lhes fornecem o capital necessário, com disponibilidade imediata, não considerando grave os seus reduzidos recursos próprios e o elevado nível de endividamento (normalmente com maturidade de curto prazo).
 

Já as empresas que se querem constituir ou investir em tecnologias de ponta e que necessitam de um investimento mais elevado ou mais permanente, e estão associadas a um maior risco e um retorno do investimento mais moroso (principalmente EBT), não consideram adequada a relação que têm com os bancos tecendo-lhes fortes críticas: os bancos cobram de mais (elevadas taxas de juro e garantias extra - hipotecas, avenças, fianças); são muito avessos ao risco (antes de concederem empréstimo fazem uma exaustiva análise da situação económica e financeira da empresa, do empreendedor e vêem qual o risco associado ao projecto, para depois exercerem diferenciais na taxa de juro devido ao prémio de risco que aumenta à medida que a dimensão da empresa diminui); a “qualidade” do empreendedor não é considerada. Resumindo, não apostam na inovação e no empreendedorismo e abusam da relação de dependência que sabem que existe entre PME e bancos.

Principalmente quando se trata de empresas jovens ou inovadoras em que o financiador tem pouca informação sobre o empresário (normalmente com uma experiência prévia de gestão ainda muito limitada) ou sobre as potencialidades de produtos, mercados ou processos e tecnologias que não têm também um historial, há a tendência dos bancos só estarem dispostos a financiar a empresa em condições excessivamente onerosas face ao seu real nível de risco, e praticar condições distintas a empresas em que estes problemas sejam minorados. Em Portugal, os problemas referidos são seriamente agravados pela falta de credibilidade de que goza a informação contabilística.

Sendo os bancos um parceiro tão importante das PME, estes poderiam ajudar a suavizar as diferenças relativamente às GE desempenhando um papel duplo: mantinham-se como o “fluxo seguro de financiamento” para fazer face às necessidades de financiamento das PME já estabelecidas, mas por outro lado, assumiriam o risco assegurando uma melhor provisão de financiamento, com um preço razoável, para EBT promissoras.

 

     4.2.  Perspectiva geral do capital de risco

O capital de risco é um instrumento que consiste fundamentalmente no financiamento  pela via da participação temporária e minoritária, de uma Sociedade de Capital de Risco (SCR), no capital social de uma empresa.

Esta forma alternativa de financiamento é bastante distinta das tradicionais, uma vez que as SCR ao disponibilizarem fundos, participam de modo directo nos riscos do negócio para além de fornecerem apoio técnico à equipa dirigente da empresa, através de conhecimento, saber e experiência capazes de beneficiar indirectamente a empresa.

Desta forma, o capital de risco não exige o tradicional pagamento de encargos financeiros, nem tem subjacente qualquer contrapartida sob a forma de garantias reais ou pessoais para os empresários. Qualquer que seja a expectativa de evolução do negócio, num empréstimo, os financiadores têm direito aos juros e reembolso do capital emprestado. Assim, no caso do capital de risco, há uma entrada de dinheiro como forma de tomada de uma posição minoritária do capital da empresa, pelo que a rentabilidade dos investidores depende unicamente da probabilidade de sucesso ou insucesso da empresa participada e está associada em grande parte às mais valias a realizar no momento da saída do negócio.

Em relação às áreas preferenciais de investimento das SCR, é de salientar que algumas destas entidades especializam-se em sectores específicos, tais como, a indústria transformadora, o comércio, as tecnologias de informação, e outros, dependendo, por isso, em grande medida do potencial de crescimento de um negócio.

Avaliando a distribuição do investimento por sectores de actividade verificamos que é no sector dos Produtos e Serviços Industriais e noutras IndústriasTransformadoras que o volume de investimento dos fundos é mais relevante.

Adicionalmente, as áreas privilegiadas de investimento de uma SCR também poderão ser influenciadas pela origem dos fundos. Esta origem provém essencialmente das instituições bancárias e dos fundos públicos destinados ao desenvolvimento empresarial.

Para além dos seus próprios recursos, as SCR dispõem de outros instrumentos financeiros também direccionados para a actuação na área do capital de risco, tais como os Fundos de Capital de Risco (FCR) e os Fundos de Reestruturação e Internacionalização Empresarial (FRIE).

Os FCR destinam-se a serem investidos na aquisição de participações no capital de sociedades não admitidas à cotação em bolsa, com elevado potencial de crescimento e valorização. Estes fundos são caracterizados por serem fundos fechados em que o capital a investir deve ser impreterivelmente fixado no momento da constituição do fundo e a sua gestão pode também estar a cargo de sociedades de investimento, bancos comerciais ou de investimento, entre outros.

Os FRIE distinguem-se dos FCR por se tratarem de fundos abertos cujo objectivo é o apoio a empresas que pretendam desenvolver um processo interactivo de reestruturação ou internacionalização. Este fundo apoia ainda as indústrias de conteúdo cultural, especialmente através da concretização de participações no capital social das EBT.

 

          4.2.1. A evolução do capital de risco em Portugal

O capital de risco surgiu com o objectivo de colmatar as dificuldades com que tradicionalmente as PME se defrontam. Algumas das razões que potenciaram o seu desenvolvimento, como uma forma de financiamento alternativo e complementar do sistema de crédito bancário, foram o aparecimento de novas actividades na área dos serviços, a crescente importância das PME no seio empresarial, o aparecimento de indústrias de ponta e a carência de recursos próprios por parte de algumas empresas com um forte potencial de  desenvolvimento. Face a estas circunstâncias, em 1986, foi regulamentado pela primeira vez o capital de risco em Portugal.

Em matéria de evolução deste tipo de financiamento em Portugal até 1998, é possível distinguir-se um primeiro período de 1986 a 1991 e um segundo período decorrente de 1992 a 1998. É de referir que no primeiro, somente em 1989 é que se registou um acréscimo significativo do número de SCR verificando-se um crescimento de fundos disponíveis de 5 para 27 milhões de contos e que entre os anos de 1991 e 1992 se verificou uma quebra no volume global de fundos afectos à actividade de capital de risco no montante de 7,1 milhões de contos. Desde então, tem-se verificado um abrandamento do ritmo de investimento, embora tenha havido um aumento dos fundos afectos ao Capital de Risco.

Quanto ao número de SCR, este também tem vindo a diminuir essencialmente por fenómenos de cessão de actividade ou por estratégias de fusão com empresas mais fortes do sector.

 Todo este cenário foi consequência dos efeitos de uma conjuntura económica desfavorável sobre a generalidade das SCR, o que induziu à tomada de políticas de desinvestimento implementadas por estas sociedades. Outro factor que contribuiu para esta situação foi todo um conjunto de dificuldades acrescidas em alienar as participações face à "inexistência" em Portugal de um verdadeiro mercado de títulos dirigido para as PME.

O aumento do volume de fundos afectos à actividade de capital de risco deveu-se à possibilidade das SCR gerirem fundos de investimento (FCR e FRIE). Verificou-se, assim, um aumento de 28,2 milhões de contos do total dos fundos disponíveis em 1992 para um total de 77,7 milhões de contos em 1998.

Em suma, podemos caracterizar a situação presente da actividade do capital de risco como uma situação  relativamente estável onde operam desde 1996 cerca de 14 SCR, cuja participação sofreu uma ligeira quebra em 1998, mas que ainda assim não deixa de ser considerada das mais elevadas desde 1986.


          4.2.2.  Segmentos do capital de risco

A participação das SCR pode  aplicar-se em diversas fases de desenvolvimento de uma empresa. Para procedermos à sua análise, vamos considerar 4 fases que correspondem ao objectivo para o qual o financiamento é requerido:

v     Capital Semente - Destina-se a permitir o desenvolvimento de um conceito de negócio, de modo a criar as condições necessárias para uma produção economicamente viável. É de salientar que este tipo de financiamento tem subjacente um risco elevado, pelo que, a sua taxa de retorno potencial será também bastante elevada.

v     Capital de Risco - Este tipo de financiamento visa essencialmente o apoio ao lançamento de novas empresas (start-up e early stage), isto é, apoio a empresas que pretendam iniciar as fases de produção comercial e vendas de um produto, assim como, o apoio ao nível de operações de reestruturação financeira (turnaround).

v     Capital de Desenvolvimento - Neste segmento é possível distinguirem-se 2 tipos de investimento: o apoio à expansão da empresa, para auxiliar o crescimento de uma empresa já estabelecida, ou o apoio a situações de aquisição do controlo da empresa (managemant buy-out e managemant buy-in)

v     Capital de Substituição: Esta modalidade de financiamento permite que os actuais accionistas/sócios adquiram parte ou a totalidade do capital dos restantes accionistas/sócios, isto é , verifica-se unicamente a substituição de accionistas no capital da empresa. Este segmento assume um nível de risco baixo e por conseguinte, um retorno potencial igualmente baixo.

Em relação à evolução da distribuição do investimento das empresas de capital de risco em Portugal podemos observar que cerca de 1/3 das intervenções das SCR nacionais concentra-se na fase de expansão, isto é, estão concentradas no segmento do  Capital de Desenvolvimento.[11]

Em diversos países como os EUA ou outros a nível europeu, verifica-se a existência de especialização por parte das SCR num determinado estádio de maturação das empresas. Contudo, esta situação ainda não é viável no mercado português. O cenário mais frequente é a posse de uma carteira diversificada de participação em empresas nos seus vários níveis de desenvolvimento.

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5. As PME e a envolvente de globalização e internacionalização

Portugal insere-se num espaço económico com oportunidades associadas ao alargamento dos mercados e novos desafios decorrentes da intensificação da concorrência numa economia mais globalizada. 

A internacionalização progressiva da economia portuguesa vai criar um ambiente simultaneamente mais exigente e estimulante que levará as empresas a alterar atitudes, comportamentos e estratégias, com reflexos positivos no seu desempenho e rendibilidade. No entanto e apesar de, nas duas próximas décadas, haver fenómenos irreversíveis, como a globalização a configuração da sociedade e da economia no futuro estão em aberto, dependendo da evolução das ciências, da tecnologia, das instituições, das ideologias e das decisões de política económica.

No contexto da internacionalização é de reconhecer que as empresas portuguesas, e nomeadamente as PME, partem para este processo com desvantagens competitivas óbvias derivadas da sua falta de experiência e condicionadas pela insuficiência de recursos financeiros, tecnológicos e humanos, assimetrias no mercado do crédito, desvantagens no acesso à informação, inovação e tecnologia, falta de conhecimento acerca dos mercados externos e das particularidades da evolução de cada um dos negócios, a reduzida experiência de actuação internacional e a situação periférica do país. 

Estamos a atravessar tempos de mudança, resta saber se Portugal está preparado para competir. A estrutura base do nosso tecido empresarial é constituído por PME, falta saber se a mentalidade dos nossos “pequenos” empresários os deixa partir para “voos mais altos”. Não abundam empreendedores e ainda não é prática comum a diversificação de fontes de financiamento, a aposta no capital de risco e a colocação de acções em bolsa.

O panorama descrito não se esgota na realidade portuguesa, mas estende-se a toda a Europa, com mais ou menos intensidade, o que levou à criação em 1996 de um segundo mercado para empresas que não pudessem estar cotadas na bolsa, mas de elevado crescimento: o EASDAQ, muito à imagem do NASDAQ norte-americano, envolve 13 países europeus, incluindo Portugal, e tem actualmente 37 empresas cotadas. Outro movimento pan-europeu agrupa-se em torno da rede Euro-NM, que agrupa o Le Nouveau Marché, criado em 1996 pela Bolsa de Paris e que conta já com 20 empresas cotadas, e outros mais recentes, como o NMAX em Amesterdão, o Euro-NM em Bruxelas, o Neuer Markt de Frankfurt e proximamente um italiano. 

Apesar da diversidade de mercados de segundo nível, as empresas cotadas ainda são uma percentagem muito reduzida e constata-se que menos de 10% do montante investido em capital de risco foi para capital semente e apoio a start up, sendo a maior fatia para o financiamento de empresas maduras em reestruturação. Deste modo, o capital de risco necessita ainda de ser desenvolvido a nível nacional.

 
Numa fase posterior será feita uma síntese sobre a competitividade da indústria portuguesa, baseada no relatório intitulado: «The competitiveness of European Industry – 1998 Report», a qual constituirá a conclusão do nosso trabalho.


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