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Portugal ainda está na fase de evangelização>>
Christophe Chausson é um empreendedor francês que, em 1995, decidiu lançar um clube de business angels fechado. Quatro anos antes, tinha fundado a empresa Chausson Finance. Esta empresa, hoje, dispõe de uma rede de 250 investidores especializados entre os quais se encontram mais de 150 business angels, agrupados num clube franco-americano que tem por nome I-back. E começou recentemente uma colaboração com a empresa portuguesa Gesventure, que se está a lançar nesta actividade no nosso país. Mas, neste campo, ainda há muito por fazer entre n´so.
Mas o que são estes business angels? Segundo a definição dada por Francisco Banha, director-geral da Gesventure, um business angel é um investidor privado que não só financia pequenas empresas mas também lhes dá o benefício das suas qualificações.
Quais são as verdadeiras actividades da Chausson Finance?
A Chausson finance é uma empresa especializada na procura de capitais para as start-up Internet. Os americanos utilizam o termo fund raiser. Recolhemos esse capitais junto de sociedades de capital de risco, em 75%n ou junto de business angels, em 25%. Desde a sua criação, a Chausson Finance, recolheu 532.000.000 francos franceses ( aprox. 15,96 milhões de contos) para 48 start-ups.
Como decorreu o negócio no ano de 1999?
Somente em 1999, conseguimos recolher 309.000.000 francos franceses ( 9,27 milhões de contos). Trata-se de um crescimento de 200% em relação ao ano anterior em termos de montantes recolhidos.
Quais as previsões para o ano 2000?
Devemos conseguir multiplicar por dois a nossa actividade e recolher mais de 600 milhões de francos franceses ( 18 milhões de contos).
Como explica um
crescimento tão acentuado?
Desde há 12 ou 18 meses, a França, como aliás o resto da Europa, conhece uma aceleração muito forte do número de criação das start-ups e do número de fundos de capital de risco. No que diz respeito às start-ups, podemos falar numa multiplicação por dez no espaço de dois anos. No0 que diz respeito aos fundos de capital de risco, o seu número viu-se multiplicado por três durante este período e o tamanho dos fundos também multiplicado por três. As razões desta euforia devem ser procuradas do lado da Internet. Uma start-up Internet que tem sucesso realiza num prazo muito curto mais valias sem nenhum tipo de comparação com todos os outros tipos de investimento conhecidos.
Teve um papel muito importante na criação dos business angels em França. Quais foram as principais dificuldades que teve de enfrentar?
Tudo começou em 1995, com a criação de um site de business angels na Internet ( clubbusinessangels.com )e, mais tarde, com a criação de um clube fechado de uma quinzena de business angels de alto calibre ( I-Bacl). Numa primeira fase, realizámos um trabalho de evangelização, ou seja de explicação e de sensibilização. Nessa altura, havia em França cerca de 30 a 40 business angels. Depois dessa primeira etapa, procurámos apresentar alguns exemplos espectaculares de sucessos de investimento realizados por certos business angels. Pode-se dizer, hoje, que o fenómeno business angels é um fenómeno de grande amplitude em França com um número de business angels da ordem do milhar. Tornou-se mesmo um fenómeno de moda!
Creio que será necessário passar por essas mesmas três fases de evangelização, de apresentação de exemplos e de desenvolvimento. A primeira fase acaba somente de ter inicio em Portugal. Acredito que a comunicação social tem um papel importante a desempenhar para difundir em larga escala a informação sobre os benefícios que pode trazer o investimento nas empresas jovens. Trata-se de benefícios monetários, claro, mas também benefícios em termos de aventura partilhada.
Não estava nas nossa previsões desenvolver uma actividade em Portugal, mas Francisco Banha veio ter connosco em Paris e convenceu-nos do interesse em montar uma joint-venture com ele. Foram três os argumentos que me convenceram:
- Rapidamente percebi que a sua visão e a sua determinação faziam dele um parceiro ideal para desenvolver uma actividade deste tipo.
- Encontrei um país, decerto atrasado no que diz respeito ao capital de risco, mas transbordando de energia.
- Pensei que a soma das nossas experiências em França, tanto os nosso sucessos como os nosso fracassos, permitir-nos-ia trazer um verdadeiro valor acrescentado nesta associação e levar a Gesventure rapidamente a um posição de líder neste mercado.
Ao
longo destes anos, qual foi a operação que lhe deu mais satisfação? Porquê?
Todas as operações dão satisfação, nomeadamente porque elas põem-me em contacto com estes criadores de empresas que são sempre pessoas apaixonadas e... apaixonantes. A mais bela aventura à qual associámos o nossso nome, até hoje, é, sem alguma dúvida, a da empresa Intégra ( no mercado do e-commerce). Três anos e meio depois de ter montado o primeiro tour de table dessa sociedade ( numa altura em que só tinha oito meses de vida e não realizava praticamente nada em termos de volume de negócios), esta tornou-se a start.up francesa que conheceu o maior crescimento de sempre. Depois da sua cotação no Nouveau Marché de Paris e no Neuer Markt alemão, a empresa apresenta uma capitalização bolsista de 900 milhões de dólares. Os investidores que fizemos entrar aquando da primeira angariação de capitais multiplicaram assim o capital inicial por nada menos do que 80!
Porque
é que Chausson Finance se especializou nas Tecnologias de Informação e na Ciência
da Vida?
A nossa especialização actual é ainda mais apurada já que só intervimos em start-ups Internet. A razão é que estas start-up estão na linha da frente das alterações fundamentais ( e, portanto, das oportunidades) que vão levar à passagem da economia tradicional para a nova economia.
Não acha que em geral, em vários países, só os projectos altamente tecnológicos tem uma hipótese de serem aceites? Não poderá haver uma boa ideia rentável noutros domínios?
Claro que sim. O sector da Internet faz sombra a todos os outros sectores e, numa reacção tipo carneiro, o conjunto dos financeiros concentram-se sobre a Internet. Mas é preciso reconhecer que nunca na história económica, antes do aparecimento dessas start-ups Internet, as empresas tinham conseguido atingir tais valorizações e em tão pouco tempo!
Entrevista feita por Pedro Ary, jornalista do Semanário Económico a Christophe Chausson, Líder da Chausson
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