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A
PROBLEMÁTICA DA AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
Uma
vez que os movimentos de fusão e aquisição de empresas continuam a ocorrer,
um pouco por toda a parte do mundo, e nas mais diversas áreas de actividade,
importa reflectir sobre os métodos normalmente utilizados pelos especialistas
na avaliação empresarial.
Naturalmente
que muito já foi escrito sobre esta matéria pelo que não pretendemos ser
inovadores mas somente expor algumas ideias sobre as mais recentes técnicas
utilizadas na avaliação de empresas nomeadamente as que derivam da aplicação
da teoria das opções reais.
Assim,
começamos por relembrar que existem várias maneiras de encarar o valor de uma
empresa os quais se podem resumir nos seguintes métodos: Valor de liquidação,
contabilístico, das acções no mercado de capitais, rendibilidade e o do valor
actual do fluxo de tesouraria (D.C.F.).
Destes
métodos o mais utilizado para avaliação de empresas, quer em Portugal quer no
mundo ocidental, é o DCF (Discounted Cash Flow). Relembramos que, por este método,
a empresa é avaliada da seguinte maneira: Primeiro, prevê-se os
cash-flows gerados pela empresa num período que normalmente se situa à volta
dos 10 anos (os cash flows seguintes têm menos importância devido a terem um
reduzido valor actualizado). Em segundo lugar, determina-se o custo de
oportunidade de capital apropriado, tendo este que reflectir tanto o valor
temporal do dinheiro como o risco associado à empresa. Em terceiro, usa-se
este custo de oportunidade do capital para descontar os cash flows futuros do
projecto (a soma dos cash flows descontados chama-se o valor actual (VA) e,
finalmente, calcula-se o valor da empresa na altura da avaliação.
Porém
este método tem vindo a merecer, nos últimos tempos, várias críticas de que
se destaca particularmente a que diz respeito ao facto de considerar que quem
detém os activos é um sujeito passivo ignorando as opções proporcionadas
pelos activos reais - opções que os gestores mais sofisticados podem usar
para obter o correspondente proveito. No entanto este facto não é de
estranhar se nos recordarmos que o DCG foi criado para avaliar acções e obrigações,
situações em que o proprietário das acções não tem a possibilidade,
excepto raras excepções, de fazer variar as condições que determina, o preço
dos activos (taxa de juro, inflação, política de dividendos, etc...).
No
entanto para avaliar uma empresa, é necessário considerar outros factores,
nomeadamente o valor da equipa de gestão. Normalmente, este valor intangível
é incluído o goodwill ou lucro supranormal. Mas qual a maneira
correcta de avaliar este activo da empresa? Qualquer pessoa pode fazer
uma estimativa qualitativa comparando essa equipa de gestão com a de
outra empresa. Mas poder quantificar esses activo é necessário
utilizar a teoria das opções reais, uma vez que a determinação dos
cash flows futuros não o permite. Na avaliação desse valor, temos que
considerar que um dado momento futuro os gestores da empresa podem tomar acções
que visem aumentar os ganhos ou reduzir as perdas de um determinado projecto. Na
teoria das opções reais, o gestor pode responder às mudanças nas
condições envolventes exercendo as opções reais que estão associadas às
oportunidades de investimento.
E
que opções são estas?
Existem
três tipos de opções associadas aos investimentos reais que existem
nos investimentos financeiros, que passamos a expor:
·
A opção de fazer investimentos no futuro que se encontram
associados a investimentos actuais, ou seja, existem investimentos estratégicos
que são tomados com vista a obter quota de mercado ou posições de liderança
tecnológica no mercado. Depois de efectuara estes investimentos, que
normalmente têm valores actuais líquidos negativos, a empresa poderá utilizar
outros tipos de investimentos que tirem vantagens dos investimentos já
efectuados;
·
O abandono de um projecto de investimento antes da sua conclusão,
ou seja, um investidor pode decidir abandonar o projecto durante a sua execução
porque, entretanto, as condições de mercado mudaram. Caso exerça a opção de
abandonar, o investidor irá limitar as perdas porque não terá custos variáveis
e irá realizar o valor de venda dos seus activos;
·
Esperar - caso a empresa o decida - pelo desenvolvimento das condições de
mercado para saber se vale a pena iniciar um investimento.
Numa
altura em que o futuro se assemelha cada vez menos ao passado é necessário que
os empreendedores tenham conhecimento das novas ferramentas que podem ter ao seu
dispor para avaliarem o valor das suas empresas.