A empresa moderna é , talvez, a mais perfeita forma de cooperação humana. Como as plantas, as empresas nascem, crescem e morrem, buscam mais recursos, evitam predadores, competem entre si. Os negócios evoluem ao longo do tempo e as empresas menos eficientes são substituídas pelas mais capazes, cujas práticas de sucesso serão copiadas por outras.
A criação de novas empresas é uma das mais elaboradas formas de competição e permite acelerar o ritmo de evolução dos negócios, sendo praticado incessantemente por intocáveis empreendedores esperançosos. É o carnavalesco jogo da vida, que testa a resistência , o empenho e o talento dos concorrentes, dispostos a se expor ao julgamento público, para o bem ou para o mal, para a glória ou para o ridículo. O desafio é encontrar um modo novo ou melhor de fazer negócio; o prémio é riqueza, fama, controlo do próprio destino. Dirigido aos indivíduos mais brilhantes, criativos e trabalhadores, o jogo do startup visa motivá-los a melhorar a utilização dos recursos da sociedade, aumentar o número de empregos e criar uma variedade maior de produtos e serviços de qualidade.
Iremos nesta página explicar as regras do jogo pelo que ao longo dos próximos meses esperamos, vir a merecer a vossa companhia convictos de que irão dar por bem empregue o tempo que nos dispensam Assim e para que possam ver o que vai ser o nosso deixa-me desde já com a opinião do doutor Jerry Kaplan sobre como tudo se passa neste jogo:
Tudo começa com um candidato a empresário que deseja se destacar e ser testado. Como em muitos outros jogos, o jogador parte com um cacife artificial neste caso, as acções de nova empresa. O objectivo é simples: aumentar o valor das acções, pois, quando o jogo acabar, elas podem ser transformadas em dinheiro vivo. O segredo é trocar uma parte das acções por três recursos - ideias, dinheiro e pessoas e, a seguir usar esses recursos para aumentar o valor das acções restantes.
As ideias são chamadas de propriedade intelectual, o que conclui o próprio conceito de negócio e qualquer criação original de projecto, processo ou modelo de operação do negócio. A propriedade intelectual é protegida por garantias de segredo comercial e industrial, patentes e direitos autorias.
O dinheiro vem de investidores, que entram na sociedade com o capital de risco. São os investidores de risco, ou venture capitalists, e têm direito a uma participação especial, as chamadas acções preferenciais cujo o efeito é gerar alguns privilégios, como o de indicar alguém para o conselho de administração.
As pessoas, por sua vez, são geralmente recrutadas entre amigos e associados ou através de caçadores de talentos contratados para contratá-las. Elas se transformarão em funcionários, cujo pagamento será feito parte em dinheiro, parte em acções. A parcela em dinheiro deve cobrir suas necessidades de sobrevivência, mas costuma ser inferior ao que receberia uma pessoa empregada em uma companhia já estabelecida. Na verdade, trabalham pelas acções, que representam uma participação na propriedade da empresa, uma oportunidade de entrar no jogo pagando com o próprio trabalho daí o apelido de "acções suadas".
O empreendedor não levanta todo o dinheiro necessário logo de início, porque isso significaria vender acções em excesso. Normalmente, o investimento inicial é o mínimo necessário para fazer o negócio atingir um patamar que chama a atenção. Escolhe-se o patamar para demonstrar os investidores potenciais que a empresa aumentou sua viabilidade. Com isso, fica justificado o aumento do valor das acções e torna-se possível vender um número menor delas. Se o dinheiro acabar antes de ser atingido esse patamar, porém, o jogo acabou. Nesse meio tempo, as outras companhias poderão tentar roubar as ideias, as pessoas e até as fontes de financiamento.
Normalmente, os investidores de risco procuram oportunidades que lhes possibilitem multiplicar o valor de suas aplicações por cinco ou dez em um prazo de cinco anos, o que equivale a emprestar dinheiro a 50% ao ano ou mais (até pouco tempo atrás, juros desse porte seriam classificados como usura e considerados criminosos). Ou seja: o altíssimo custo do capital transforma o jogo do startup em uma corrida contra o relógio.
O último passo do jogo é um evento financeiro conhecido como OPA, sigla usada nas bolsas para designar a oferta pública de acções , o momento em que a sociedade anónima passa a ter capital aberto e é listada pela primeira vez no mercado de acções. Em geral, e isso que marca sua transição de negócios de risco para a situação de companhia rentável. Ou seja, de startup a empresa que factura. Até então, é praticamente impossível conseguir dinheiro em troca de acções. Depois da OPA, o empreendedor, assim como qualquer funcionário ou investidor, está livre para vender acções na bolsa. Isso representa que a aposta em um novo negócio terminou em vitória e que foi criada uma empresa viável. O empreendedor pode transformar sua acções em dinheiro vivo e voltar para casa, assumir a tarefa menos arriscada de administrar uma empresa estável ou voltar a se arriscar em uma nova jogada. |