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Entrevista à Revista Negócios & Franchising
1º O que é o Capital de Risco? A noção de capital de risco é uma noção multifacetada pelo que qualquer definição que seja apresentada necessita de ser ajustada ao âmbito do tema que se pretende estudar. Ainda assim, é comum afirmar-se que se trata de uma modalidade de financiamento em que se produzem duas sequências interrelacionadas: um Investidor (Sociedade de Capital de Risco ou Business Angel) adquire uma participação societária, normalmente minoritária, numa PME, possuidora de um forte potencial de crescimento e rentabilidade que lhe permita obter uma mais-valia significativa no final da duração (frequentemente 3, 5 ou 7 anos) prevista para o êxito do projecto. Por outro lado o Empreendedor obtém não só Capitais Próprios mas fundamentalmente o Capital Conhecimento resultante do «saber fazer», das redes de contactos nacionais e internacionais e principalmente da credibilidade que proporciona às «Ideias» - de que o Investidor é possuidor. Convém igualmente referir que, atendendo a critérios temporais e de carácter qualitativo, é possível distinguir quatro modalidades de financiamento por Capital de Risco a saber: · Capital Semente fundos dedicados a projectos empresariais definidos somente num Plano de Negócios. · Financiamento do Capital Inicial fundos para pôr em andamento uma empresa que possui um protótipo de um produto pronto a comercializar. · Financiamento do Crescimento fundos que permitem superar a carência de recursos próprios para financiar o crescimento estável da empresa, já em funcionamento. · Outras Operações Incluem-se nesta modalidade, entre outras, as operações de compra de capital da empresa por parte da equipa de gestão, quer interna quer externa, ou a aquisição e restruturação de empresas em dificuldade.
Face ao exposto podemos dizer que ao financiar a sua criação, o seu crescimento ou a sua transmissão, o Capital de Risco selecciona os futuros campeões sobre os quais assenta uma boa parte do crescimento, da competitividade e da criação de postos de trabalho na nossa sociedade.
2º O que são as Sociedades de Capital de Risco? As SCR são empresas cuja estratégia reside na realização de investimentos de longo prazo, em acções/quotas de empresas não cotadas, e cujo rendimento advém principalmente dos resultados obtidos com a alienação desses investimentos, quer através da revenda de acções/quotas aos empreendedores ou a outros sócios quer ainda através de uma Oferta Pública de Venda nos mercados bolsistas. Podem investir fundos (que obtém normalmente junto de instituições bancárias ou de organismos públicos dedicados ao desenvolvimento empresarial) da própria SCR ou gerir fundos em nome de outras instituições. O facto de as SCR serem membros e cumprirem os critérios definidos pelas Associações de Capital de Risco nacionais e da EVCA (European Private Equity and Venture Capital Association) permite afirmar que estas SCR representam o Capital de Risco institucional.
3º Quem são os Business Angels? São capitalistas de risco individuais que cobrem as necessidades de financiamento a que o Capital de Risco institucional não dá resposta nomeadamente os projectos de capital semente e de capital inicial vulgarmente designado por startups. Os Business Angels são assim, na sua maior parte, antigos empreendedores que alienaram, na totalidade ou em parte, o seu negócio e que pretendem reinvestir uma parte dos seus capitais em empresas que lhes possam permitir continuar a participar no «jogo» empresarial e obter resultados atractivos no futuro. Daqui resulta que as motivações que se encontram subjacentes aos Business Angels reflectem o seu perfil: enquanto investidores pretendem conseguir uma mais-valia a médio prazo, no momento da venda ou entrada da empresa num mercado bolsista. Enquanto antigos empreendedores, procuram reviver ou continuar a viver - o entusiasmo e a excitação que se encontram associados à criação de uma empresa, em especial no domínio das tecnologias de informação, onde o desenvolvimento é normalmente espectacular e rápido.
4º Para que servem os Clubes de Business Angels? Os Clubes de Business Angels traduzem-se em organizações de carácter informal que têm como principal objectivo constituir o ponto de encontro entre empreendedores que procuram capital e os investidores que procuram boas oportunidades de investimento. Permitem assim aos empreendedores ter acesso a investidores idóneos mas de difícil acesso que, para além do capital, possuem experiência dentro de um determinado sector, ou seja, contactos profissionais que na fase de arranque são tão ou mais importantes que a componente dinheiro. Por sua vez o CBA permite ao investidor escolher uma de entre diversas oportunidades, isto é, antes dos investidores profissionais e participar em empresas que possuem necessidades financeiras limitadas (entre 5.000 a 50.000 contos) e em valorizações que se encontram ajustadas aos seus projectos actuais.
5º O que é um Venture Catalyst? O Venture Catalyst é um intermediário especializado, no sector de capital de risco, que possui relações privilegiadas com os investidores, quer sejam institucionais, quer sejam privados (Business Angels por exemplo), que lhes permitem assistir e apoiar os empreendedores no financiamento das suas start-up.
Desde o estudo do projecto à conclusão dos negócios com o investidor o Venture Catalyst actua como um catalisador para acelerar a passagem das diferentes etapas que o empreendedor terá de vencer até conseguir que a SCR financie o seu empreendimento. Assim: · Analisar e efectuar o apport de sugestões no business plan a desenvolver; · Identificar e seleccionar os potenciais investidores que melhor se adaptem às necessidades do empreendedor; · Assistir e acompanhar o empreendedor no processo de negociação (apresentações, montagem financeira da operação, pacto social, etc...) · Constituir equipas de gestão profissionais que permitam facilitar o cumprimento do plano. São tudo funções que competem a um Venture Catalyst. No entanto as funções do Venture Catalyst não são apenas ao nível dos empreendedores mas também ao nível dos próprios investidores nomeadamente na: · Criação de clube de investidores (Business Angels) que permitam a estes um acesso privilegiado a novas oportunidades de capital; · Selecção e apresentação de projectos com elevado potencial de crescimento; · Implicação da equipe do Venture Catalyst no seguimento do projecto de investimento; · Procura de oportunidades de desinvestimento e de consequente rendibilidade dos investimentos realizados.
6º Como saber se a empresa precisa de um Business Angel? São muitas as dificuldades por que um empreendedor passa nas primeiras fases do seu negócio. Existem certas competências específicas que nem toda a gente tem. Um bom financeiro pode não ser um bom comercial e um bom técnico pode não ser um bom financeiro. Quando falta alguma destas competências na equipa de gestão é necessário ir adquiri-las, normalmente através da contratação de alguém qualificado. Mas isso custa dinheiro e quanto melhor, mais caro. Se a empresa não dispõe dos meios para contratar um bom técnico então uma boa solução é encontrar financiamento por parte de um Business Angel; até pode ser que essa pessoa possua as competências em falta na empresa. Normalmente os Business Angels trazem competências a nível comercial às empresas que financiam, devido à sua experiência como empreendedores. Mas são as empresas jovens que mais têm necessidade de encontrar um parceiro deste tipo. Por não terem um modelo de negócio com provas dadas no mercado, não conseguem um financiamento bancário. Por outro lado, as empresas mais jovens não têm necessidade de muito dinheiro para pôr as coisas a andar, pelo que uma entrada de capital por parte de uma SCR é altamente improvável porque não é rentável para a SCR. Se a empresa necessita de menos de 50 mil contos, então a forma ideal de financiamento é um Business Angel.
7º Como é o Processo de Entrada de um Investidor? Partindo do princípio que o investidor já está convencido da história sobre uma oportunidade e que a pessoa que a contou se encontra comprometida e apaixonada na criação e conquista de valor então o primeiro passo é definir o montante de capital que o empreendedor necessita. Posteriormente há um acordo quanto à avaliação do projecto o que irá definir qual a percentagem de capital a ceder ao investidor. Depois de acordar a forma de entrada do capital (tipo de acções ou outras formas de participação) elaboram-se os acordos parassociais que definem todos os pontos de interesse para a relação entre o investidor e a empresa (cláusulas de não-diluição, membros do Conselho de Administração, forma de saída, etc.).
8º Qual o Grau de Liberdade de Gestão que fica para o Empreendedor? Numa operação de Capital de Risco, o grau de liberdade de gestão do empreendedor pode variar muito, mas normalmente a gestão operacional fica 100% a cargo dele. O investidor fica normalmente com funções de assessoria à gestão. Na nomenclatura anglo-saxónica existem dois termos que definem este tipo de relação: hands-on e hands-off. Quando um investidor é do segundo tipo, a sua contribuição é meramente financeira e todas as responsabilidades de gestão ficam a cargo do empreendedor. O investidor exige pouco mais do que um relatório mensal das actividades da empresa. De qualquer forma, os acordos parassociais definem qual o tipo de decisões que podem merecer aprovação do investidor (decisões estratégicas ou grandes investimentos). Quando o investidor é hands-on, entra também com as suas competências ou contactos, e procura ter um envolvimento activo na gestão da empresa. Ele procura encorajar as equipas, estimulá-las e mantê-las, mas também dizer-lhes onde e quando elas se arriscam a desviar-se do rumo traçado.
9º O Conceito faz sentido no âmbito do Franchising? Os investidores de capital de risco procuram negócios onde exista uma boa relação rentabilidade/risco, seja em que sector for. Os fundos de capital de risco normalmente especializam-se numa determinada área e existem fundos especializados no comércio que podem ser investidos em negócios de franchising, como é o caso do FRIE Comércio BNU Capital, o qual, pelo que sabemos, ainda tem muito dinheiro disponível uma vez que poucos empreendedores a ele têm recorrido. Pela sua importância para os leitores da Negócios & Franchising, informo que o património do Fundo FRIE Comércio BNU Capital, no valor de 1,1 milhões de contos, destina-se a ser investido na aquisição de participações de empresas que cumpram os seguintes requisitos: - PME não cotadas pertencentes ao sector do comércio. - Empresas nascentes ou que pretendam implementar projectos de expansão e modernização. - Empresas envolvidas em projectos de internacionalização. - Empresas que apresentem um plano estratégico global do qual resulte o reforço dos seus factores de competitividade. De referir que os projectos, no âmbito do franchising, devem apresentar um forte potencial para gerarem riqueza, sendo a duração média das participações de 6 a 10 anos e o tipo de participação minoritário e não superior a 25% do Capital Social. No entanto os empreendedores não devem nunca esquecer-se que compete à SCR decidir se o negócio é atractivo e se nele vale a pena investir.
10º O capital de risco só se aplica a empresas de novas tecnologias? Não. Todas as boas oportunidades de negócio podem ser financiadas por capital de risco. O que se passa é que os investidores procuram normalmente taxas de retorno superiores a 30% ao ano e as empresas de novas tecnologias têm mais hipóteses de alcançar essas taxas. Mas podemos encontrar taxas de retorno assim também em sectores como o turismo ou o comércio, o que os torna também sectores atractivos para os investidores de capital de risco. A confirmar esta minha observação veja-se o caso da Agricultura, que não sendo um sector atractivo para investimentos de Capital de Risco é, hoje em dia, e devido à Internet, objecto de sucesso, existindo no Mundo milhares de portais agrícolas e agronómicos alguns deles financiados por capital de risco, que inclusivamente foram, recentemente, alvo de oferta Pública de Venda no mercado Americano. No entanto há que assinalar que actualmente os sites da Internet portugueses exercem um verdadeiro fascínio sobre os investidores portugueses e europeus, a que não será de estranhar o facto de Portugal se encontrar num período de recuperação em relação a alguns dos seus vizinhos, pelo que o volume de Capital de Risco angariado para aplicação em projectos Business-to-Business ou Business-to-Consumer é desde há alguns meses bastante significativo.
A Gesventure (www.gesventure.pt) está em actividade em Portugal desde Junho de 1999 e surgiu devido a uma parceria com a Chausson Finance (www.chaussonfinance.com), líder francesa na angariação de capital de risco. Tem como função auxiliar os empreendedores a encontrar financiamento de capital de risco para os seus projectos. Com o decorrer da actividade verificou-se também a necessidade de constituir uma incubadora, pois muitos projectos ainda não estavam numa fase suficientemente avançada para ter hipóteses de conseguir financiamento. Um jovem empreendedor tem todo o interesse em se apoiar em profissionais deste tipo, antes de partir à conquista dos investidores. Estes profissionais terão a sua remuneração paga pelo success fee da operação mas permitirão evitar obstáculos quer na elaboração do business plan quer na preparação do encontro quer na selecção dos investidores. Tendo esta observação em linha de conta, passamos de seguida a apresentar a nossa opinião sobre as seguintes questões: O que fazer se tiver uma boa ideia mas não tiver capital? Dirija-se a uma incubadora de empresas. Através de uma participação no capital da empresa a criar, a incubadora oferece os recursos necessários (recursos humanos com competências nas áreas financeira, de marketing, tecnológica, estratégica e de contactos empresariais) para a transformação da ideia em realidade e posteriormente ajudá-lo a elaborar o Business Plan. Veja-se o caso do www.terranatal.com e do www.bolsadecarga.net que surgiram devido à incubadora Gesventure. O que fazer se tiver uma boa ideia e alguns recursos limitados? Deve elaborar um Plano de Negócios que deve dar a conhecer de uma forma eficaz o seu sonho aos capitalistas de risco. Para isso deve basear-se nos chamados quatro Ms : · A MAGIA: O capitalista de risco tem de visualizar e estar comprometido com o seu sonho. O Plano de Negócios tem de o convencer que a sua oportunidade de investimento não se baseia apenas em fumos e espelhos, mas sim numa verdadeira solução a um problema ou oportunidade existente. · A EQUIPA DE GESTÃO: O investimento está no jockey, não no cavalo! A qualidade da equipa de gestão é um dos indicadores mais importantes de um investimento de capital de risco, potencialmente bem sucedido. O Plano de Negócios tem de convencer o capitalista de risco que a equipa de gestão (Directores Executivos/Principais Gestores) está apaixonada, preparada e mantém sempre muita atitude! · O MERCADO: A pesquisa apropriada, compreensão e selecção de uma indústria, mercado e clientes alvo são importantes ao sucesso potencial de uma empresa financiada por capital de risco. O Plano de Negócios tem de convencer o capitalista de risco que o mercado alvo é grande, ou está a crescer, e que existe um plano sólido para conquistar e manter uma quota de mercado significativa. · O DINHEIRO: É sobre ele, ou mais propriamente sobre o negócio, que o capitalista de risco toma a decisão de investimento. Sendo assim, o Plano de Negócios tem de o convencer que a estratégia financeira adoptada se baseia em suposições sólidas e comprovadas, que o preço da empresa está correcto, e que existirá um ROI (Return on Investment) significativo. Tendo em atenção estas quatro premissas, existe já uma base credível para se proceder à elaboração de um Plano de Negócios que cative o interesse do investidor, que neste caso recomendamos que seja a um Business Angel uma vez que para além do dinheiro necessário para o sucesso do seu negócio, ele acompanhará a sua empresa de perto, podendo indicar o melhor caminho a seguir. Veja-se o caso do www.portalmotor.pt que foi apoiado através de um conjunto de Business Angels. O que fazer se tiver uma empresa a funcionar e se se quiser expandir? Dirija-se a uma Sociedade de Capital de Risco. São investidores de capitais próprios que têm capacidade para investir largos montantes. São bastante criteriosos na escolha dos investimentos mas são uma grande ajuda para o sucesso de uma empresa. Faça muito bem o seu trabalho de casa (nomeadamente o Business Plan focado na resposta à questão anterior) porque as estatísticas dizem o seguinte: de 5000 ideias, uma SCR pode investir em 10, que vê como um portfólio de opções. Das dez, cinco podem ser desastres totais, três terão sucessos moderados, uma permitirá obter o dobro do investimento inicial, e somente uma apresentará um retorno de 50 a 100 vezes o investimento. O objectivo das SCR é certificarem-se que têm em mãos um «grande vencedor», e não que existem perdedores. Será o seu caso, caro Leitor?
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