Entrevista de Dr. Banha ao management do "Semanário Económico"

 PROTAGONISTAS

 “Encarar cada desafio como uma nova meta a atingir”

Mais importante do que premeditar uma carreira é atribuir-lhe um sentido

Amigo do seu amigo, define-se como uma pessoa exigente, primeiro consigo próprio e depois com as pessoas que o rodeiam. Protagonista, porque tem permanentemente uma atitude virada para o tentar fazer a diferença, Francisco Banha é um empreendedor visionário, não podendo ser confundido com um simples gestor ou um mero empresário.

Oriundo de uma típica família portuguesa, Francisco Banha é aos 38 anos um dos grandes impulsionadores, senão mesmo o pioneiro do capital de risco. Defensor da criação de um Ministério dedicado ao Empreendorismo ou Oportunidade, o professor tem em Peter Druker, Gary Hamel e Jorge Vasconcellos e Sá três dos seus “mestres”.

Quando lhe perguntamos se é pessoa vaidosa… a resposta é muito rápida: «se a vaidade se mede pelo grau de satisfação dos nossos clientes e pelo entusiasmo dos nossos colaboradores, então, considerar-me-ei uma pessoa vaidosa».

Como é que se define profissionalmente?

Um empreendedor que domina bem quer o ambiente onde exerce a sua actividade, quer os conhecimentos de gestão que lhe permitem exercer correctamente a profissão. Competências fruto da minha formação académica e do facto de ser também professor. Deste modo, defino-me como uma pessoa bastante exigente, primeiro comigo próprio e depois com as pessoas que me rodeiam, altamente responsável e com uma atitude virada para o tentar fazer a diferença. Amigo do seu amigo, mas cada vez mais exigente, pois só assim se pode desenvolver a actividade a que me tenho proposto – quer na óptica da gestão e contabilidade, quer na área do capital de risco, de angariação de capital para os projectos.

Começou por ser contabilista e hoje é visto como um visionário da nova economia. Como se dá esta passagem?

A transição da área da contabilidade para a nova economia não é mais do que o resultado da actividade que tenho vindo a desenvolver. Nunca me “entendi” como um contabilista, antes como um empresário/empreendedor que desenvolveu inicialmente a sua actividade na área da gestão e contabilidade – começando por ter um gabinete de contabilidade como as outras quatro mil empresas do género. Mas por possuir competências derivadas da formação académica e ter acesso a determinada literatura interpretei bem os sinais de vários mercados e geri o meu negócio de contabilidade de forma diferente. Isto é, a missão principal sempre foi a informação, produção, preparação e elaboração de informação para que alguém possa tomar decisões.

Há uma grande diferença, pois se o meu negócio é a informação para a gestão, a contabilidade era apenas um dos meios que tinha para fazer esse serviço. E... aqui começa a diferença: se estou a fazer uma preparação de informação para alguém tomar decisões, tenho de ter uma equipa que olhe para as coisas de maneira diferente de um contabilista. Assim, passei a ter quadros/equipa que satisfizessem essa necessidade.

Isso significa que a sua evolução na carreira foi premeditada?

Quando penso na idade que tenho (38 anos) e começo a pensar como é que cheguei onde estou, poderei afirmar que programei muito pouco do que me aconteceu.

Efectivamente, considero-me um “descobridor” de novos mundos, um pouco por acaso. Tenho tido a sorte de reunir uma constelação de estrelas que são os meus amigos e colaboradores, aos quais muito devo a capacidade de ultrapassar os desafios que me têm sido colocados.

A evolução da minha carreira sempre girou em torno do seguinte: “encarar cada desafio como uma nova meta a atingir”.

Na realidade, mais importante do que premeditar a evolução de uma carreira é esforçarmo-nos, desde sempre, em atribuir-lhe um sentido.

Tentei sempre desenvolver a minha carreira com coerência e consistência tendo por base sérias convicções de abertura à mudança, às parcerias, à inovação e ao espírito empreendedor.

Significa então que um empreendedor não se faz, constroí-se.

Há que ter algumas condições internas dentro de nós. Mas um empreendedor vai-se construindo e pessoas com o meu perfil são confrontados com as mais diversas situações, quer no ponto de vista técnico, quer de relação humana, quer mesmo do conhecimento profissional – gente com quem estamos sempre a aprender.

Há uma vontade de ser diferente! E, isso significa que há um conjunto de questões que são imutáveis. Questões relacionados com o carácter, e onde sublinho a responsabilidade, a exigência, a frontalidade, a sinceridade e a transparência como os alicerces de um bom gestor.

Considera-se um autodidacta?

De alguma forma sim. Para além de eu estar/ter feito um percurso académico que começou na licenciatura e à qual se seguiu o mestrado e alguns outros cursos… para além de ser professor universitário...  há algum autodidactismo. Obviamente que faço muita leitura, tenho as minhas próprias ideias e estou sempre aberto a ouvir aquilo que as outras pessoas têm para me dizer.

Algumas dessas pessoas o marca ou marcou mais profundamente?

Há duas pessoas que na área da gestão empresarial me marcam profundamente. O professor Peter Druker, porque foi o primeiro a escrever e a sentir que a gestão era algo de diferente, que eram necessários recursos e competências específicas para poder exercer a actividade de gestor. E o professor Gary Hamel porque, para mim, foi o grande visionário destas questões da nova economia e das alterações que essa nova economia provocaria. Ao nível nacional, e só por curiosidade, tenho partilhado as ideias e as formas do professor Jorge Vasconcellos e Sá, de quem sou um fã incondicional, dado que apresenta ferramentas para quem deve tomar decisões. Aliás, conheci o professor Vasconcellos e Sá durante o meu MBA e vim a tornar-me seu assistente na Universidade.

A sua empresa tem colaboradores muitos jovens. O que mais aprecia nos seus colaboradores, para além da lealdade já falada?

Por um lado, o facto de serem jovens tem a ver com a vertente das novas realidades, onde a palavra jovem pressupõe uma maior abertura de espírito, o não haver ideias pré-concebidas. Depois... jovens inseridos em empresas que têm quadros que já apresentam alguma maturidade é deveras perfeito – a maturidade com a juventude.

Os jovens, ao contrário do que muita gente diz, não são assim tão maus em termos académicos. Eles precisam é de um ambiente empresarial, de uma cultura de empresa que realmente os receba e que, de alguma forma, faça a incubação desses jovens. Nós, na Gesbanha, temo-nos dado muito bem com essa postura; aliás recorro muito aos jovens do Centro de Emprego que depois formo “à minha maneira” – dou-lhes enquadramento para que possam desenvolver a sua actividade.

E como prezo muito a capacidade dos jovens poderem exprimir a sua opinião dou-lhes todo o apoio para poderem viver intensamente a profissão. Mas, sublinhe-se, não quero “supra-sumos” mas jovens que percebam aquilo que nós queremos fazer e na Gesbanha tenho tentado passar a mensagem daquilo que se passa com  a imagem de um bando de passáros em voo: não se sabe quem é o líder, não vai ninguém há frente, ou pelo menos eu não vejo, mas há uma convergência. Aqui, é a mesma coisa: eu não imponho a estratégia, antes crio as condições.

Quais as suas metas quanto ao trabalho? Isto é, tem metas inconfessáveis quanto ao trabalho?

Não. A minha grande meta é poder continuar a concentrar todas as minhas energias em ajudar as empresas e os empreendedores a inventar e a construir novas capacidades que lhes permitam florescer na Nova Economia.

A minha meta, decerto pouco modesta, é fazer com que seja criado em Portugal um verdadeiro ecossistema, assente numa complexa rede de relações, ideias, empreendedores e capital de risco, que permita desenvolver o amor pelo risco e a ausência de receio de fracasso, contribuindo para elevar o potencial de inovação que nos fará, também, a nós portugueses, fazer parte das redes de informação que tem acesso às decisões estratégicas de âmbito global.

O que o motiva e desmotiva na actividade que desenvolve?

O que mais me motiva tem a ver com o facto de poder identificar oportunidades que vão de encontro ao pensamento criativo recomendado pelo Professor Joshi: «Até agora temos vivido num mundo cheio de ideias e conceitos que outras pessoas pré-definiram. Agora, chegou a hora de acrescentar uma peça ao conhecimento humano, isto é, em vez de melhorar uma solução velha deveremos criar uma resposta nova».

De facto, tendo a sorte de viver numa época em que pela primeira vez na história a nossa herança não é mais o nosso destino, os nossos sonhos não são mais fantasias mas possibilidades que nos permitem ir muito mais além das crenças que nos foram transmitidas, então, é lógico que eu obtenha uma forte motivação em querer ser um dos líderes da Nova Revolução que estamos actualmente a viver.

No tocante à desmotivação, esta ocorre, sobretudo, quando sou confrontado com jovens empreendedores que não assumem de forma racional e coerente os arrojos de visão que a sua juventude lhes permite possuir, quando actuam e se comportam contra os princípios de conduta ética como seja a sinceridade, transparência, carácter, credibilidade, ou seja, demonstrando uma total falta daquilo que o meu pai primou em transmitir-me: «o mais importante é saber honrar as nossas palavras e atitudes».

Algo que muito me desmotiva acontece quando alguns dos empreendedores actuam não de acordo com as ideias e sonhos que possuem, mas apenas com base na estrita conta de resultados, limitando logo à nascença o sucesso dos seus próprios projectos.

Qual o maior estímulo pessoal que lhe podem dar?

Ser confrontado com desafios que me deixem espaço para aplicar a minha paixão pelo empreendedorismo, visão, criatividade e capacidade de detectar novas oportunidades, mais do que gastar as minhas energias a resolver problemas. E se alcancei algum êxito como empreendedor é porque até agora tenho agido dessa maneira.

Se assim não fosse nunca teria conseguido, por exemplo, que a Gesbanha fosse em 1998 a primeira, e até agora única, empresa portuguesa no domínio da Gestão e Contabilidade a obter a certificação do seu Sistema da Qualidade, nem teria escrito os dois únicos livros que existem em Portugal sobre Capital de Risco, já para não falar do facto ser reconhecido como um observador privilegiado do nascimento da era digital no nosso País.

Foi essa mesma atitude que o levou a defender a criação do Ministério do Empreendorismo?

De alguma forma é o tentar passar a mensagem de uma pequena empresa de serviços para a nossa sociedade. Eu defendi essa ideia porque Portugal está, em minha opinião, numa fase de desconfiança, de depressão, de falta de criação de riqueza que é necessário modificar – não podemos continuar assim! O nosso modelo económico está esgotado. Há que criar algo de diferente e por que não tomar como embrião o que se passou nos Estados Unidos em 1933?

Numa fase de grande depressão, em que havia uma desconfiança nos mercados, o presidente Roosevelt tomou uma medida muito simples mas de grande simbologia: colocar no verso da nota de um dólar uma pirâmide inacabada para que os americanos acreditassem de que a riqueza só era possível se estes fossem empreendedores quer por conta própria, quer por conta de outrem. Essa pirâmide não estava completa... no cimo dizia que todos os americanos têm algo a fazer, pois só assim se conseguia criar riqueza. Quero com isto dizer que chegou a hora de criar um novo desígnio nacional. A questão do Ministério do Empreendorismo vem nessa óptica: passar uma imagem diferente, onde se crie oportunidades, condições. É o responder urgentemente com um conjunto de iniciativas que permitam a existência de uma nova atitude empreendedora, nomeadamente ao nível do sector público estatal.

A ideia do Ministério do Empreendorismo ou Oportunidade não é mais que pretender que esse novo órgão pudesse implementar iniciativas que, numa geração, permitissem recuperar o atraso que temos. É uma nova atitude perante as situações. As iniciativas que se podem colocar em prática são várias. A primeira é relativamente aos jovens em idade escolar. São jovens que não aprendem qual a importância da empresa, da PME,  das questões relacionadas ao dinheiro e de outras que, ao fim e ao cabo, condicionam a actividade da empresa.

É o preparar os jovens para uma nova mentalidade. Outra questão é a falta de uma política para fazer face à gestão do capital de risco. Não há projectos e essa realidade vai continuar se não houver uma política. Repare-se que agora começam a surgir as críticas de que o Novo Mercado não tem empresas e a questionar-se se, de facto, era uma necessidade. Eu vou mais longe e pergunto: que iniciativas foram desenvolvidas para que possam aparecer empresas no Novo Mercado?

Ultrapassar essa questão passa pelo desenvolvimento de uma política sustentada que, por exemplo, poderia incluir uma selecção nacional de planos de negócio. Seria um diagnóstico de todo o potencial de jovens que tivessem ideias para criar projectos empresariais. Um evento que nunca poderia ser feito de forma amadora mas altamente profissional e ligado a empresas multinacionais, que estão instaladas em Portugal – que podiam, com o seu conhecimento e capitais, desenvolver os novos projectos e ideias.

Essa medida, a tornar-se realidade, viria dar mais força a uma minoria de pessoas jovens que têm tido êxito. Ao fim e ao cabo é dar estímulos para que os resultados apresentados por essa meia dúzia de jovens seja sentida por toda uma geração.

Num plano mais pessoal, do que não abriria mão por nada deste mundo?

Considero que a integridade, a honestidade, a sinceridade e a determinação são os quatro pressupostos basilares para se alcançar um verdadeiro projecto de vida com sucesso, e dos quais em circunstância alguma abrirei mão.

Ter boas ideias e boas estratégias é essencial no mundo dos negócios, mas mais importante ainda é ser-se fiel a estes quatro princípios, sob pena de se correr o risco de ruir pela base tudo aquilo que se construiu.

Que valor dá ao lazer?

No actual mundo empresarial é preciso estar-se cada vez mais atento à concorrência global e dar-se prioridade máxima ao esforço pela qualidade e à capacidade competitiva de uma empresa. Por isso, é normal defender-se que a dedicação, a disponibilidade e muito trabalho são condições fundamentais para a obtenção do sucesso empresarial pois um empresário, sabendo o valor do seu tempo, procurará utilizá-lo da melhor forma, trabalhando arduamente na obtenção dos seus objectivos.

Todavia, uma pequena pausa para relaxamento e descompressão, dedicada à família e aos amigos, bem como ao exercício de algumas actividades extra-laborais, afigura-se indispensável para evitar atingir um ponto de ruptura, provocado essencialmente pelo excesso de trabalho e inerente carga de responsabilidades (que se poderão traduzir em sintomas negativos nomeadamente ao nível do foro físico  e psicológico).

Nesse sentido tento, sempre que possível, fazer férias repartidas e dessa forma poder compensar o meu filho e a minha mulher pelas inúmeras horas de convívio de que se têm visto privados, como resultado da minha dedicação ao desenvolvimento das minhas actividades empreendedoras, académicas e até de escritor.

O que é para si um momento de prazer?

Na minha actividade empresarial sou confrontado diariamente com inúmeras decisões e escolhas.

Como a experiência me diz que a “escolha certa” – isto é, a identificação de uma ideia inovadora que realmente funcione – é sempre a mais difícil de alcançar - logo, e passo a redundância, a que exige sacrifício do meu próprio prazer - então, é natural que para mim um momento de prazer se atinja quando essa escolha se traduz num excelente resultado para a minha organização.

Considera-se uma pessoa vaidosa?

Geralmente faço uma distinção entre dois tipos de Ego.

Um tipo de Ego que só cuida de si mesmo para conseguir obter alguma vantagem para si, ignorando, e por vezes colidindo, com os direitos dos outros. Esse é o Ego negativo no qual nunca me revi.

O outro, por sua vez, defende que devemos servir a causa comum e assumirmos plenamente as responsabilidades. Considero-me, por isso, uma pessoa determinada, persistente e auto-confiante nas minhas opções.

Pertenço, orgulhosamente, àquela categoria de pessoas que têm sempre algo de novo a dizer, a fazer e a provar, e que lutam por objectivos a que não gostam de colocar limites, pois só assim é possível não sacrificarmos os “nossos sonhos” no altar da sabedoria convencional.

Em resumo, se a vaidade se mede pelo grau de satisfação dos nossos clientes e pelo entusiasmo dos nossos colaboradores, então, considerar-me-ei uma pessoa vaidosa.

“Capital de risco – O impacto da fiscalidade” e “Capital de risco –os tempos estão a mudar” são duas obras que editou. Em que sustenta o seu optimismo?

Pego numa citação proferida muito recentemente pelo escritor Mário Vargas Llosa: «Sou optimista mas não sou idiota. Um optimista é uma pessoa que acredita que o mundo pode mudar, pode melhorar, ao mesmo tempo que é lúcido quanto ao que está mal neste mundo. E é muito». Poderei, por analogia, afirmar que também eu acredito que é possível colocar o nosso País no mapa europeu e internacional da Nova Economia.

Acresce ainda, que num período conturbado como aquele em que vivemos, a mudança é a norma. É certo que é dolorosa e arriscada e, acima de tudo, exige trabalho muito duro por parte dos empreendedores que sejam capazes de vislumbrar as possibilidades económicas das Novas Tecnologias e de romper com as antigas barreiras que tentam obstruir a inovação e por parte do Estado, em criar políticas para fazer o presente e criar o futuro, ou seja, concentrar-se não só nos problemas, mas principalmente na criação de oportunidades.

Só que a capacidade de financiar novos e inovadores negócios não existirá mais por parte dos banqueiros tradicionais mas, principalmente, pela existência de uma vigorosa Indústria de Capital de Risco. A mesma Indústria que possibilitou que os EUA tenham dominado a Nova Economia, pois os outros países têm acesso à mesma tecnologia que os EUA, mas ficaram para trás porque foram incapazes de duplicar as capacidades de tomada de risco do sistema americano de financiamento de inovações.

O Governo português terá de perceber, de uma vez por todas, que “o dinheiro é bastante racional e tem uma visão aguçada quando se trata de impostos” e, como tal, as Sociedades de Capital de Risco (SCR) Internacionais nunca irão preferir Portugal para fazer os seus investimentos, quando têm aqui mesmo ao lado em Espanha um enquadramento fiscal muito mais favorável.

Efectivamente, as SCR pagam 35,2% de impostos em Portugal contra 1% em Espanha, o que, diga-se de passagem, não é nada atractivo.

Apesar de tudo, continuo bastante optimista quanto ao facto de a situação poder vir a ser modificada através de uma acção pessoal por parte do primeiro-ministro, pois não é possível que o mesmo tenha tido uma posição 100% favorável ao Capital de Risco quando liderou a célebre Cimeira Extraordinária de Lisboa e, simultaneamente, uma posição que permita o citado enquadramento fiscal, de resto, altamente desfavorável à dinamização do Capital de Risco.

Se assim não for, isto é, perante uma ausência de tomada de posição, significaria cortar aos empreendedores portugueses a possibilidade de terem acesso não só ao capital dinheiro, mas fundamentalmente ao Capital Conhecimento resultante do “saber-fazer” das redes de contactos nacionais e internacionais e, principalmente, da credibilidade que proporcionam as “ideias” que as SCR possuem.

E a intervenção do primeiro-ministro pode ser tanto ou mais importante se pensarmos que o actual arrefecimento na área das tecnologias pode ser o sintoma de um novo palco para novos “booms” tecnológicos. Com efeito, os engenheiros e programadores despedidos, ou em trabalho precário, vão trabalhar nas suas próprias ideias. Foi isso que aconteceu em 1985 nos EUA, quando gigantes como a Cisco tiveram nessa altura o seu começo e logo bateram recordes de crescimento, dando razão à velha máxima. «Algumas das melhores empresas são criadas em tempos menos bons porque há mais disciplina». Mas, tal como já referi, essas boas empresas só podem ter sucesso se forem apoiadas por Capital de Risco, o qual é muito mais do que uma parceria limitada e organizada com o propósito de investir em empresas novas e inovadoras, tal como muitos, erradamente, tentam fazer crer.

Na verdade, os capitalistas de risco são somente a ponta de um amplo e sofisticado sistema de capital que é capaz de absorver e difundir as grandes quantidades de risco necessárias para financiar os jovens empreendedores.

 

G.T.

Gteofilo@economica.iol.pt

Destaque

 Estímulo é ser confrontado com desafios que deixem espaço para aplicar a minha paixão pelo empreendedorismo, visão, criatividade e capacidade de detectar novas oportunidades.

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«Mais importante do que premeditar a evolução de uma carreira é esforçarmo-nos, desde sempre, em atribuir-lhe um sentido.»

Destaque

«Pertenço, orgulhosamente, àquela categoria de pessoas que têm sempre algo de novo a dizer e que lutam por objectivos a que não gostam de colocar limites.»

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A minha meta, pouco modesta, é fazer com que seja criado em Portugal um verdadeiro ecossistema, assente numa complexa rede de relações, ideias, empreendedores e capital de risco.

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Não é possível que o 1ºMinistro tenha tido uma posição 100% favorável ao Capital de Risco quando liderou a célebre Cimeira Extraordinária de Lisboa e, simultaneamente, permita um enquadramento fiscal altamente desfavorável.

Destaque

 As Sociedades de Capital de Risco (SCR) Internacionais nunca irão preferir Portugal para os seus investimentos: pagam 35,2% de impostos em Portugal contra 1% em Espanha!

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 Um Ministério do Empreendorismo seria um órgão para implementar iniciativas que, numa geração, permitissem recuperar o atraso que temos.

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Personalidade

Em privado

Francisco Manuel Banha, 38 anos, é licenciado e mestre em Gestão de Empresas pela Universidade Técnica de Lisboa e é domo de um optimismo desmedido. Professor auxiliar convidado na Universidade Moderna, publicou artigos de opinião em diversos jornais e revistas especializadas, sendo autor de dois livros na área da gestão do capital de risco, de que é realmente um «evangelizador».  Orador em diversas conferências em universidades portuguesas, faz também parte do conselho geral da APECA – Associação Portuguesa......

Distinguido com uma menção honrosa na categoria «Filosofia Empresarial e Pessoal» na final nacional do concurso Worldcom Young Business Achiever 98, Francisco Banha é fundador e sócio principal da Gesbanha (consultoria de gestãoe contabilidade) e da Gesventure (Capital de Risco), empresas que contam com clientes de peso como o IPE Capital, SAER, Kellogg, Watson Wyatt, Du Pont, Compaq, Johnson Wax, entre outras.