| Entrevista
de Dr. Banha à "Vox
Populi" |

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1
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QUAIS AS IMPLICAÇÕES QUE PREVÊ PARA O SECTOR COM A ENTRADA DO NOVO
GOVERNO ?
Preconizamos
que, independentemente das implicações ou consequências que a entrada
do novo executivo irá carrear para o sector, primordial se afigura que se
declinem, de uma vez por todas, as propagandas políticas governamentais,
em prol do cumprimento dos objectivos fulcrais para o desenvolvimento e
dinamização das empresas portuguesas na era da nova economia.
De
facto, é muito importante que os nossos políticos assumam, de uma vez
por todas, os compromissos assumidos aquando a realização da Cimeira de
Lisboa em 2000, na qual se firmou acerrimamente a convicção de que a
inovação é a chave para o crescimento económico e estimula o emprego e
a produtividade, pois somente assim o nosso país poderá contribuir para
alcançar o objectivo traçado para 2010, de transformar a economia
europeia do conhecimento como
a mais dinâmica e competitiva do mundo.
Sucede
que, volvidos quase dois anos, e, feita a triagem às medidas legislativas
adoptadas na matéria expelindo a propaganda governamental, as três áreas
fundamentais que permitem às empresas beneficiar da nova economia
- a investigação cientifica, o desenvolvimento das
infra-estruturas das telecomunicações e o acesso ao público em geral à
sociedades da informação – continuam a evidenciar grande perigo, pois
segundo estatísticas efectuadas pela União Europeia, Portugal ocupa o
ultimo lugar no índice da inovação entre os 15 países europeus,
evidenciando um valor negativo na ordem dos 8,7.
Assim,
vejamos o seguinte gráfico:
INDICE DA INOVAÇÃO DA U.E.:
Deste
modo, mais importante do que a mudança de Governos, será a definição e
adopção de um conjunto de procedimentos concertados e uniformes ao nível
dos diversos Organismos estatais nacionais, potenciadores de uma maior
agilização e eficiência na execução das medidas governativas
mobilizadoras do desenvolvimento e da inovação deste sector, sob pena de
figurarmos “ad eternum” no último lugar do ranking da inovação
da União Europeia.
Todavia,
não obstante o significativo atraso revelado ao nível da inovação
enquanto factor chave de desenvolvimento económico de um país, devido em
grande parte à ineficiência e incoerência do inter-relacionamentos dos
vários organismos estatais, nestes dois últimos anos tem-se vindo a
assistir a uma importância crescente do sector do Capital de Risco na
economia portuguesa.
O número
de participações, os montantes envolvidos, o número de operadores no
mercado (“venture capitalists”, “corporate ventures”, “business
angels”, “venture catalysts”), e a procura que este tipo de
financiamento tem tido, quer por parte de novos projectos/empreendedores,
quer por parte de negócios já implantados, são indicadores que atestam
bem da realidade que é hoje o Capital de Risco comparativamente há 2 ou
3 anos atrás.
Contudo,
há ainda muito por fazer, e o nosso atraso relativamente a outros países,
como Espanha, Inglaterra ou França é notório.
Refira-se
que, a par da considerável inoperância governamental em matéria
legislativa - maxime a ausência de um adequado enquadramento fiscal específico
e totalmente apartado de
interesses associados à elaboração do Orçamento Geral do Estado -
no âmbito do apoio e fomento ao Capital de Risco, outros factores
se revelam causadores de tal significativo atraso como os de ordem
cultural e de mentalidade por exemplo, que não podem ser erradicados ou
melhorados por decreto.
Não
nos esqueçamos que o Capital de Risco é uma relação de parceria e, em
Portugal os empresários portugueses continuam a revelar uma certa relutância
na utilização deste instrumento de financiamento que aposta na parceria
de capital e gestão.
A
criação, como tem vindo a ser anunciada, de uma holding estatal de base
tecnológica que agrupe todos
os centros tecnológicos actualmente dispersos pelos diversos Institutos
que se encontram sob a alçada do Ministério da Economia, e, as medidas
específicas constantes do POE direccionadas para as SCR (Fundo de Sindicação
e Desconto de Participações), podem revelar-se insuficientes se não se
descentralizar e apoiar a iniciativa privada na dinamização de um
conjunto de acções “âncoras”, as quais, dado o seu carácter
fortemente mobilizador e empreendedor, dificilmente poderão
ser materializadas por estruturas públicas de débil flexibilidade e
altamente burocratizadas.
A
este nível, assume particular relevo um conjunto de acções que carecem
necessariamente de ser adoptadas a breve trecho, com vista à criação de
um ambiente favorável e potenciador da iniciativa empresarial.
Assim,
citem-se como exemplo clarificador as seguintes medidas:
-
Existem projectos/ideias que têm de ser descobertos e
apoiados desde a sua fase “semente”, neste âmbito faz todo o sentido
desenvolverem-se concursos nacionais de Planos de Negócios, de modo a
despertar a “veia” empreendedora que existe no nosso país;
-
As ideias, os projectos que estão a germinar, têm de
sentir que podem ser apoiados desde logo. A este nível a criação de
redes regionais de business angels, que actuem localmente e que facultem o
chamado “seed capital” é factor chave;
-
Urge desenvolver as ligações do
“capital-capital” com o “capital conhecimento” proveniente,
sobretudo, das universidades, centros de investigação e centros de
incubação.
-
A promoção e divulgação, através de road
shows, deste modo de financiamento a nível regional seria uma forma
de acabar com muitos mal-entendidos que ainda vão existindo nalgumas
pessoas, e de transmitir as verdadeiras potencialidades do Capital de
Risco, como forma de potenciar e catapultar negócios, ideias e novos
projectos;
-
Benchmarking
junto de países como os E.U.A, França
e Reino Unido de modo a que se conheça de uma forma aprofundada o que é
a verdadeira indústria do Capital de Risco, e a que se tragam para
Portugal algumas formas e métodos de trabalhar.
Assim,
em face das considerações vazadas anteriormente, defendemos
convictamente que o novo governo deverá estar definitivamente
sensibilizado para as vantagens decorrentes da utilização deste
instrumento de financiamento como valiosa ferramenta para o
desenvolvimento económico do país, pois somente assim, isto é, havendo
vontade política para tal, porventura ainda se vá a tempo de recuperar algum
deste
atraso que actualmente existe, obstando-se, deste modo, a que muitos dos
projectos com potencialidades fiquem condenados a “ficar na gaveta”, e
a que as nossas empresas tenham cada vez mais estruturas de capitais débeis,
com o recurso crescente a capitais alheios.
2
- QUE ALTERAÇÕES PODERÁ/DEVERÁ O
NOVO EXECUTIVO REALIZAR SOBRE O POE ?
Antes de
tecermos algumas considerações ao nível das alterações a introduzir
pelo novo Governo, urge, desde logo, clarificar quais os problemas de base
que assombram e comprometem a taxa de execução (refira-se a este
respeito que, dos 1.268 milhões de euros de incentivos aprovados até
Dezembro somente foram aplicados 200 milhões, representando apenas 15,7
da referida taxa) daquele que se afirma o maior programa do terceiro
Quadro Comunitário de Apoio.
È
nítida, e reconhecidamente assumida pelo próprio gestor do POE, a existência
de “zonas de bloqueio e ineficiência”, geradoras, nomeadamente, da
inaplicabilidade das verbas afectas ao POE no âmbito das ajudas pública.
A
par da identificação urgente dos problemas de base, importante também
seria clarificar as restrições Orçamentais de Bruxelas e o fecho do
Pedip II, como factores condicionadores da execução de metade das verbas realizadas no âmbito do POE.
Ás
primeiras associam-se normas
restritivas das condições de reembolso dos gastos dos programas ao que
se designa por despesa efectivamente paga, eliminando-se os reembolsos (
de resto, já eliminados desde a discussão da Agenda 2000); quanto ao
segundo, apontam-se constrangimentos ao nível da tesouraria dos
institutos, em virtude da subsistência de operações que se foram
adiando e que agora tiveram que ser dadas como definitivas com vista ao
fecho do programa.
Por
outro lado, outra questão, igualmente, pertinente consiste em definir uma
política de articulação entre os diversos Institutos públicos que
partilham a gestão do POE e os respectivos serviços de coordenação
desenvolvidos pelo Gestor do POE , de forma a permitir a introdução de
uma melhoria continua e uma execução coerente na aplicação dos fundos
comunitários para a economia nacional.
No
que concerne à consagração das iniciativas aplicáveis ao sector de
Capital de Risco, e se atentarmos ao que está programado tanto na medida
2.2 – Mobilizar novas ideias e novos empresários, como na medida 3.4
– Consolidar e alargar as formas de financiamento (a qual originou a
aprovação de algumas medidas legislativas no passado dia 10/1 –
Portaria 37/2002), facilmente se constata que as intenções vão ao
encontro de algumas das medidas que defendemos para a dinamização deste
sector. Contudo, ainda pouco se conhece de concreto a este nível, pois a
matéria legislada é escassa.
3
- ONDE ESTÃO AS FALHAS PARA O CAPITAL DE RISCO AINDA NÃO
TER SIDO APLICADO NO SECTOR DAS TI ?
Ao
contrário do que se fala, o sector nacional das TI’s tem tido
investimentos significativos via capital de risco. A comprová-lo estão
as conclusões retiradas do Indicador Gesventure/Universidade Moderna, o
qual elaborado semestralmente mediante inquérito realizado aos operadores
de capital de risco portugueses, divulga os investimentos por estes
realizados, por sectores, por estádios de desenvolvimento e por localização.
Assim,
poder-se-á constatar que durante o 1º semestre de 2001 ( de acordo com
os últimos dados disponíveis) o sector das TMT’s, e não obstante
todo o pessimismo gerado em torno deste sector, viu o seu peso (no
total de investimentos realizados) subir de 22% para 51%, com 42 Milhões
de Euros.
Não
é, pois, verdade que o sector do capital de risco português tem
descurado o financiamento das TI’s. Contudo, é óbvio que existem
muitos projectos que não são apoiados, mas é a lei natural, o
capitalista de risco sendo um futuro parceiro e sócio, tem de ponderar
bem todas as variáveis e o “custo” a que vai entrar no projecto.
Projectos
com valorizações sem uma base sólida, com crescimentos pouco
sustentados, com equipas de gestão deficientes e com Planos de Negócios
com lacunas, são difíceis de aceitar para um capitalista de risco.
Com o “rebentar da bolha” a
precaução tem sido palavra de ordem, mas
é um erro crasso pensar-se que o capital de risco, em latus
sensu, prefere uns sectores em detrimento de outros. O que conta são
as pessoas (entenda-se equipa de gestão), o conceito inovador, e uma
oportunidade de mercado bem detectada e definida. Se a isto juntarmos um
Plano de Negócios sem mácula, poderemos afirmar que existem francas
possibilidades de se conseguir o tão almejado financiamento.

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