São muitos os profissionais que
desenvolvem uma actividade contínua independente, ou por períodos transitórios. Os
problemas que mais frequentemente se lhes apresentam são:
Falta de marca de
prestigio
ainda que muitos deles contem com um reconhecido prestigio
pessoal, a oferta de serviço de consultoria empresarial compete directamente em empresas
como a Andersen Consulting, Ernest &Young, P&W, Boston Consulting Group, etc., que
contam com um sólido prestigio. Pelo que a luta é desigual:
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Um profissional face a uma organização com 2
000 a 3 000 profissionais; |
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10 a 30 anos de experiência face a 100 anos
de história com 150 000 anos/homem de trabalhos realizados; |
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A experiência em 3 a 5 empresas face a
trabalhos contínuos para as 5 000 principais companhias do mundo; |
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Contactos limitados com um ou dois países
face a escritórios permanentes em 40 países; |
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Equipas profissionais constituídas por uma a
três pessoas face à capacidade para incorporar 15 ou 20 profissionais em cada projecto; |
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A experiência uni-sectorial face à
capacidade acrescentada a 20 sectores da economia. |
Infraestrutura
insuficiente:
ainda que um negócio de gestão e contabilidade não
precise de níveis intensivos de capitalização, são necessários certos recursos cujo
custo não é reduzido. Por outro lado, onde as grandes empresas têm insistido (em boa
medida injustificadamente) nos seus recursos próprios, e em muitas ocasiões os clientes
ficam impressionados:
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Escritórios de prestigio: as empresas de
prestigio dispõe de escritórios de alto standing com mais de 500 m2,
mobiliário de alta gama, salas de reuniões com capacidade para 20 pessoas, equipamentos
audiovisuais, video-conferência, etc.; |
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Departamentos de documentação, busca de
informação: as firmas de prestigio dispõe, umas vezes em cada escritório e outras em
departamentos centrais, de uma equipa de documentação que acumula todos os trabalhos
prévios, que dispõe de informações sectoriais, acesso a todos os periódicos e
publicações internacionais, e acesso a múltiplas bases de dados; |
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Suporte de documentação de documentos: é
frequente que em cada escritório de empresas de prestigio disponham pelo menos de 6
pessoas especializadas na produção de documentos: |
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Suporte de cor (impressoras lazer,
fotocopiadoras a cores); |
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Gráficos completos integrados (programas de
publishing de última geração); |
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Formatos standartizados (desenho corporativo
contratado a uma firma de imagem, sistemáticas de apresentação finamente acabadas,
páginas de rosto à medida); |
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Capacidade de reacção (documentos extensos
em menos de 48 horas). |
Marketing reduzido
em contraste com as grandes empresas, um profissional
independente tem sérias limitações para realizar de um modo rentável esforços de
marketing significativos:
- Marketing massivo: normalmente orientado a gerar
notoriedade de reconhecimento e reputação;
- Marketing focalizado: mais orientado para o curto
prazo, muitas vezes orientado para captar novos contactos com potenciais clientes,
solicitações de propostas de trabalho (Request For Proposal- RFP), ou para manter o
nível de relação com os clientes prévios.
Os instrumentos mais utilizados pelas
grandes organizações de consultoria de gestão são:
- Folhetos corporativos: documentos genéricos que de
um modo muito profissional descrevem a empresa de consultoria ou as suas aptidões para
resolver problemas tipo;
- Artigos de imprensa: frequentemente artigos de
imprensa em revistas especializadas, que incluem artigos de opinião sobre vários
sectores (exemplo: "Os operadores de telecomunicações nacionais face à
globalização do sector: fusões e alianças), ou as problemáticas de gestão (ex.:
"Capacidade de criação de novos produtos, como arma estratégica face à
competência de produtos indiferenciados"), ou noticias de carácter corporativo
(ex.: "XPTO&Co. abre um novo escritório em Moscovo para atender o mercado a Este
da Europa").
- Conferências e colóquios: são feitas em rádio ou
em salas de conferência, dirigidas a sectores concretos da economia (ex.: "TV-Cabo,
oportunidades de negócio"), ou dirigidas a grupos de executivos (ex.:
"Mega-marketing um instrumento dos grandes estrategas");
- News-letters: publicações de actualidade,
reservadas a uma audiência limitada;
- Reuniões cara-a-cara: os consultores apresentam-se a
uma firma ou executivo para comentar algum tema de seu interesse, tentar estabelecer uma
relação ou identificar os seus problemas e desafios (ex.: "Leads
Opening").
À excepção destas reuniões cara-a-cara,
o resto dos instrumentos de marketing são caros, e a sua utilização sistemática só se
justifica quando se tem em conta economias de escala, o que não está ao alcance dos
profissionais independentes.
Limitações na hora
de formar uma equipa completa
as procuras dos clientes são muito diversas, tanto em
relação ao número de consultores a envolver como em relação ao seu nível
profissional e de especialização, é frequente o caso em que o consultor independente
não pode reunir entre os seus contactos profissionais um grupo que cumpra os requesitos
necessários para o seu papel no projecto;
Indisponibilidade de
metodologias
a disposição de metodologias não é muitas vezes um
problema de know-how e inovação real (grande parte se não a totalidade das ideias
vanguardistas estão publicadas), mas sim um instrumento de marketing para um momento
final da entrega da proposta de colaboração, ou um instrumento de sistematização para
aumentar a produtividade na execução.
Não é necessário demonstrar que a carga
de trabalho associada ao desenvolvimento de múltiplas metodologias supera em grande
medida a capacidade de qualquer profissional isolado.
Credenciais
insuficientes (qualificações)
grande parte dos conhecimentos desenvolvidos em projectos
prévios realizados por uma empresa de consultoria não contribuam nem são alvo de
aproveitamento por parte da equipa que executa o trabalho em questão. Não obstante, é
certo que os clientes dão uma grande importância às qualificações por eles
apresentadas, que no caso dos independentes podem ser estreitas;
Produtividade
limitada:
as razões de falta de produtividade dos freelancers
(trabalhadores independentes) são múltiplas:
- Colaboradores com diferentes hábitos e metodologias de
trabalho;
- Lacunas na formação de equipas de trabalho cobertas por
profissionais com excessiva experiência;
- Viagens desnecessárias: ao não dispor de rede
geograficamente extensa, aumenta o número de viagens desnecessariamente;
- Insuficientes sistemas de informação: ao não serem
peritos em localizar a informação global processada e disponível a baixo custo (bases
de dados públicas, publicações recentes), muitas vezes procede-se desnecessariamente à
procura de dados individuais (com carga de trabalho associada de processamento posterior);
- Capacidade de computação reduzida: computadores que não
funcionam, programas obsoletos não compatíveis ou mal instalados;
- Sistemas de comunicação insuficientes: os exemplos são
múltiplos:
- Documentos remitidos por fax para sua manipulação
posterior por outros colaboradores (em vez de transferência electrónica de ficheiros);
- Reuniões cara-a-cara que bem poderiam ser substituídas por
video-conferências ou video-telefone;
- Conferências-telefónicas facilmente substituíveis por
e-mail;
- Tempo perdido na concretização de agendas em equipa;
- Secretárias que em grande medida só recebem mensagens.
- Falta de metodologias que sistematizem o trabalho e/ou
permitem delegar as tarefas;
- Deseconomias de escala na produção de documentos;
- Falta de garantias sobre a qualidade do produto final: este
é um elemento crítico para muitos clientes. A existência de uma marca que dê suporte
ao trabalho de consultoria, assim como a contratação de uma equipa de supervisão
("Steering Comitee") que por parte da empresa de consultoria garanta um nível
razoável de qualidade, são elementos chave para tranquilizar o cliente.
O impacto de
todas as limitações materializa-se em:
- Horários profissionais reduzidos: para estabelecer um
nível de comparação, a tarifa diária ("Billing Rate") de um consultor
sénior de uma empresa internacional ronda entre os 80 e 150 contos por dia, quando um
profissional equivalente exercendo sem protecção corporativa pode rondar entre 16 e 50
contos por dia, aproximadamente um rácio de 5:1;
- Tipo de responsabilidade assumida: o consultor independente
muitas vezes acaba colaborando como "assessor pessoal", realizando vários
trabalhos. Em contrapartida são as grandes empresas as que participam no desenho dos
grandes planos estratégicos, as grandes reorganizações ou as fusões de empresas;
- Carga de trabalho desajustada: ao ser o responsável pelo
marketing, as vendas e a execução, o consultor independente muitas vezes vê limitado o
número de dias facturáveis (100 ao ano como média, face aos 150 dias que é a média
das empresas de maior tamanho). Em grande medida, a diferença está em que não é
incorporado nos projectos vendidos por outros profissionais (para além dos seus
próprios).
As alturas de muito trabalho e os períodos de trabalho
facturáveis são outras características implícitas no trabalho como freelancer |
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